Adoecimento mental no trabalho: Como a nova NR-01 impacta empresas e resultados
Entenda como a atualização da NR-01 torna os riscos psicossociais uma exigência legal e como o adoecimento mental no trabalho impacta empresas, gestão e resultados.
Durante muito tempo, saúde e segurança do trabalho foram associadas quase exclusivamente ao uso de EPIs, à realização de exames periódicos e aos treinamentos obrigatórios. A NR-01 sempre esteve presente nesse contexto, porém de forma técnica e restrita às áreas de SST.
Esse cenário mudou.
Com a atualização da norma por meio da Portaria nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, a NR-01 deixa de tratar apenas de riscos físicos e passa a incorporar, de forma expressa, os riscos psicossociais no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
Aquilo que por muitos anos foi tratado como tabu no ambiente corporativo, a saúde mental, agora se consolida como exigência legal. As empresas precisarão demonstrar, de forma documentada, qual é a sua realidade interna, como o trabalho está organizado, como as lideranças atuam e quais ações estão sendo adotadas para prevenir o adoecimento mental.
Os riscos psicossociais sempre existiram. A diferença é que agora eles ganham nome, estrutura, responsáveis e exigem ação estratégica.
O que muda com a atualização da NR-01
A partir de 26 de maio de 2026, todas as empresas deverão manter o PGR atualizado, contemplando obrigatoriamente os riscos psicossociais.
A NR-01 passa a exigir que as organizações identifiquem, avaliem e controlem não apenas riscos físicos, químicos ou ergonômicos, mas também aqueles relacionados:
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à forma como o trabalho é organizado;
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às metas estabelecidas;
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ao estilo de liderança;
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ao clima organizacional e às relações de trabalho.
A lógica da norma deixa de ser apenas corretiva e passa a ser preventiva, contínua e sistêmica, exigindo uma leitura mais profunda do ambiente corporativo.
Por que os riscos psicossociais passaram a integrar a norma
Os dados explicam essa mudança.
Segundo informações do INSS, em 2024 foram registrados mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais relacionados, também, ao trabalho. Em 2014, esse número era de aproximadamente 220 mil afastamentos, o que representa um crescimento superior a 60% em dez anos.
Esse cenário levou o poder público a reconhecer que o adoecimento mental não pode mais ser tratado apenas como um problema individual. Em muitos casos, ele é consequência direta da forma como o trabalho é estruturado e gerido.
Por isso, a NR-01 passa a exigir que esses riscos sejam formalmente mapeados, monitorados e gerenciados.
O que são riscos psicossociais
Os riscos psicossociais são condições presentes no ambiente de trabalho que podem gerar estresse, ansiedade, depressão, Burnout e outros transtornos emocionais e comportamentais.
Eles não estão ligados ao indivíduo, mas ao contexto organizacional em que o trabalho acontece.
Entre os exemplos mais frequentes, destacam-se:
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sobrecarga de trabalho e metas inalcançáveis;
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liderança autoritária ou despreparada;
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falta de reconhecimento e de feedback;
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jornadas extensas e dificuldade de desconexão;
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ambientes organizacionais tóxicos;
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falta de clareza de papéis e responsabilidades.
Os impactos dos riscos psicossociais para as empresas
Os riscos psicossociais impactam diretamente diversos indicadores estratégicos do negócio, como:
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aumento do absenteísmo e dos afastamentos;
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presenteísmo e queda de produtividade;
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elevação da rotatividade de colaboradores;
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deterioração do clima organizacional;
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crescimento do risco de ações trabalhistas;
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aumento dos custos previdenciários.
Um indicador relevante nesse contexto são os atestados médicos classificados como CID F, que frequentemente sinalizam um ambiente organizacional adoecido e exigem atenção da gestão.
O novo protagonismo do RH na gestão da saúde mental
Com a atualização da NR-01, o RH assume um papel ainda mais estratégico dentro das organizações. A área deixa de atuar apenas em processos e documentos e passa a ser responsável por uma leitura aprofundada do ambiente organizacional, identificando fatores de risco e conduzindo ações preventivas em conjunto com a liderança, SESMT, jurídico e alta gestão.
O RH passa a atuar de forma analítica, consultiva e estratégica, conectando pessoas, saúde e resultados.
Conclusão
A atualização da NR-01 transmite uma mensagem clara às organizações: não se trata mais apenas de EPIs e exames. Trata-se do ambiente, das relações humanas e da forma como o trabalho é conduzido. O adoecimento mental no trabalho tem CPF, tem CNPJ e impacta diretamente os resultados do negócio.
Empresas que enxergarem a NR-01 apenas como uma obrigação legal perderão a oportunidade de utilizá-la como uma poderosa ferramenta de gestão de pessoas, cultura e liderança. Já aquelas que compreenderem essa mudança estarão mais preparadas para o futuro do trabalho, um futuro em que saúde mental, estratégia e sustentabilidade caminham juntas.
A adequação à nova NR-01 exige análise técnica, visão estratégica e atuação integrada entre jurídico, RH e gestão. O R|Fonseca auxilia empresas na estruturação de políticas, mapeamento de riscos psicossociais e implementação de práticas alinhadas à legislação e à realidade do negócio. Converse com nossos especialistas e transforme a conformidade legal em vantagem estratégica para sua empresa.

Patrícia Lima é coordenadora de RH do R|Fonseca – Direito de Negócios. Tem experiência com abordagem generalista em Recursos Humanos, abrangendo recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, gestão de benefícios e estruturação de planos de cargos e salários. Com mais de seis anos de atuação na área, liderou iniciativas como planejamento de custos da área, análise de indicadores e implementação de tecnologias para modernizar processos.