Função do Inventariante: Deveres e Riscos Legais
Entenda o papel do inventariante, suas obrigações legais no processo de inventário e os riscos decorrentes de falhas na gestão do espólio.
Com o falecimento de uma pessoa, ocorre a abertura da sucessão. Nesse momento, o patrimônio, bens, direitos e obrigações, é transferido aos herdeiros legítimos ou testamentários. Esse conjunto de bens, chamado espólio, precisa ser partilhado por meio de um inventário judicial ou extrajudicial.
O inventariante assume papel central nesse processo. Ele administra o espólio até a conclusão da partilha, conforme determina o Código de Processo Civil.
Principais responsabilidades do inventariante
O artigo 618 do CPC determina que o inventariante atue com diligência, transparência e responsabilidade. Ele deve:
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Representar o espólio judicial e extrajudicialmente;
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Administrar os bens com o mesmo zelo que teria com os próprios;
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Prestar as primeiras declarações em até 20 dias após o compromisso;
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Fornecer documentos e certidões necessárias;
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Prestar contas de sua administração;
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Quitar dívidas, realizar acordos e efetuar despesas para manutenção dos bens.
Além disso, o artigo 619 do CPC autoriza o inventariante a vender ativos, firmar acordos e realizar despesas, desde que beneficiem o espólio.
Quem pode ser nomeado inventariante?
A legislação permite a nomeação de:
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Um dos herdeiros;
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O cônjuge sobrevivente;
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O testamenteiro;
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Um terceiro de confiança, nomeado pelo juiz.
O juiz considera a estrutura familiar e os interesses envolvidos para garantir a gestão correta do patrimônio.
Riscos e penalidades por falhas do inventariante
A função de inventariante exige cumprimento rigoroso de prazos e deveres legais. Se ele descumprir suas obrigações, pode ser removido do cargo, conforme o artigo 622 do CPC. Isso ocorre, por exemplo, quando:
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Não apresenta as primeiras declarações no prazo;
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Prolonga o inventário sem justificativa;
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Deixa de proteger bens ou direitos do espólio;
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Sonega, oculta ou desvia bens;
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Não presta contas adequadamente.
Nesses casos, o juiz pode:
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Expedir mandado de busca e apreensão dos bens;
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Aplicar multa de até 3% sobre o valor total do espólio (art. 625 do CPC);
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Substituir imediatamente o inventariante.
Por que a função exige preparo técnico e ética?
Ser inventariante vai além de uma obrigação formal. A função exige:
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Conhecimento técnico do processo sucessório;
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Capacidade administrativa;
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Cumprimento rigoroso de prazos;
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Comprometimento ético com o espólio e os herdeiros.
Ao representar o espólio perante a Justiça e terceiros, o inventariante deve assegurar que a partilha ocorra de forma justa, eficiente e legalmente válida.
Confiança e responsabilidade na administração do espólio
A escolha do inventariante e a forma como ele exerce suas funções afetam diretamente o andamento do inventário e a preservação do patrimônio. Por isso, contar com assessoria jurídica especializada é essencial para garantir uma gestão transparente, segura e conforme a lei. O R|Fonseca – Direito de Negócios é referência em inventários e sucessões, oferecendo soluções jurídicas estratégicas e personalizadas e orientando inventariantes com técnica, visão preventiva e segurança jurídica desde a nomeação até a conclusão da partilha.