Reforma Tributária: Câmara conclui votação de regulamentação e texto segue para sanção

Proposta da reforma tributária cria novas regras para gestão e fiscalização do IBS. Texto agora segue para sanção do Presidente da República.

por Renner Fonseca
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Deputados na sessão do Plenário desta terça-feira. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados concluiu, na última terça-feira (16), a votação do projeto que regulamenta a gestão e fiscalização do Imposto sobre Bens e Serviço (IBS). Agora, o texto segue para sanção presidencial.

O texto aprovado é um substitutivo do Senado ao PLP 108/24, relatado pelo deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE). O projeto altera vários pontos da lei sobre as alíquotas do IBS e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Este é o segundo texto da regulamentação da reforma tributária.

O IBS é um tributo criado para substituir o ICMS (estadual) e ISS (municipal) e será gerido pelo Comitê Gestor do IBS (CG-IBS), formado por representantes de todos os entes federados. O objetivo desse grupo é coordenar a arrecadação, a fiscalização, a cobrança e a distribuição desse imposto aos entes federados. Além de elaborar a metodologia e o cálculo da alíquota dos novos tributos.

Segundo o relator do projeto, “o comitê vai disciplinar todo o processo de arrecadação dos tribtuos e a fiscalização”. “Assim, apenas um auditor vai acompanhar como a empresa está se comportando”, concluiu.

O deputado ressaltou, ainda, que o comitê gestor será responsável pelo sistema de split payment. O grupo irá registrar todas as compras e vendas de cada empresa.

Medicamentos isentos

O texto aprovado em plenário continha destaques importantes. Isto é, sugestões de alterações pontuadas pelo relator, o deputado Mauro Benevides Filho.

O destaque da federação PT-PCdoB-PV manteve no texto um dispositivo que entrega aos ministérios da Fazenda e da Saúde a responsabilidade de definir quais medicamentos serão isentos do IBS e CBS.

Segundo o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), em vez de uma lista de medicamentos isentos, o governo deve seguir linhas de cuidado para definir os remédios com alíquota zero. Um exemplo dado é o da Farmácia Popular, de doenças rara, de oncologia e de diabetes.

SAFs (Sociedades Anônimas de Futebol)

O plenário acolheu, também, um destaque do PL para manter a atual tributação das SAFs. Na primeira versão da lei havia um aumento previsto para esse grupo.

O plenário aprovou, também por acordo, uma emenda de redação e estendeu às entidades desportivas as mesmas alíquotas, assegurando uma redução de 60% em relação às alíquotas gerais que ainda serão definidas para toda a economia.

Bebidas açucaradas

Em uma votação acirrada, o plenário rejeito (242 a 221 votos) um destaque que pretendia manter no texto final a alíquota máxima de 2% do Imposto Seletivo para bebidas açucaradas.

Importação de serviços

O texto aprovado traz ainda um acordo entre o goveno e o setor financeiro sobre alíquota zero na importação de serviços financeiros. Esse acordo vale, por exemplo, se relacionados a operações de câmbio, com títulos ou captação de recursos no exterior.

Segundo o senador Eduardo Braga (MDB-AM), o Poder Executivo concordou com a derrubada do veto. Porém, exigiu que empresas do regime regular fiquem proibidas de apropriar créditos de IBS e CBS quando tomarem empréstimos de instituições do sistema financeiro referenciados em moeda estrangeira ou quando elas próprias emitirem títulos nessa moeda.

A intenção é evitar a transferência da base de cálculo desses tributos para o exterior na importação de serviços financeiros.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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