Reforma Tributária: O que você precisa saber sobre a transição para o IBS e CBS
Entenda os principais impactos da Reforma Tributária na sua empresa: substituição de tributos, transição até 2033, split payment, regimes especiais e gestão do fluxo de caixa.
A Reforma Tributária deixou de ser apenas uma pauta política e tornou-se um caminho concreto. Com a aprovação da Emenda Constitucional nº 132/2023, o Brasil inicia a transição para um novo modelo de tributação sobre o consumo, o que representará a maior reestruturação tributária desde a Constituição de 1988.
Mais do que acompanhar a mudança, é fundamental que sua empresa compreenda o que está por vir e comece, desde já, a se preparar. Neste guia, explicamos os principais pontos que merecem atenção e mostramos como o novo cenário impacta diretamente na forma como as empresas operam, planejam e geram valor.
Quais tributos serão substituídos?
O atual sistema de tributos sobre consumo será gradualmente substituído por um modelo mais moderno e simplificado, com foco em transparência, neutralidade e não cumulatividade plena.
Veja o que muda:
Tributos extintos:
- PIS e COFINS: tributos federais com incidência sobre o faturamento e regras complexas de apuração;
- IPI: imposto federal sobre produtos industrializados, com impacto relevante na cadeia produtiva;
- ICMS: imposto estadual, um dos mais complexos do sistema atual;
- ISS: imposto municipal sobre serviços, com regulamentações distintas em cada município.
Tributos que passam a valer:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo gerido por um comitê nacional, com competência compartilhada entre estados e municípios.
Além disso, será criado o Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos e serviços com efeitos negativos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e atividades que exploram recursos naturais não renováveis.
Leia mais: Vantagens do Cost Sharing na Redução de Custos Tributários
O que é o modelo IVA e o que muda na prática?
O novo modelo adota a lógica do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) moderno, amplamente utilizado em diversos países. Suas principais características são:
- Base ampla de incidência: bens, serviços e direitos;
- Apuração não cumulativa plena: crédito financeiro amplo e irrestrito;
- Cobrança no destino: o imposto será recolhido no local do consumo final.
Na prática, isso significa:
- Fim da guerra fiscal entre estados;
- Mais previsibilidade na apuração de tributos;
- Possibilidade de aproveitamento de créditos em quase todas as aquisições realizadas pela empresa;
- Maior transparência na cadeia de consumo.
Contudo, essa mudança exige das empresas uma revisão profunda dos seus processos operacionais, tecnológicos, contratuais e estratégicos.
Quais setores serão mais impactados pela Reforma Tributária?
Embora a reforma tenha como princípio a neutralidade arrecadatória, ou seja, sem aumento da carga tributária como um todo, é fato que alguns setores terão impactos significativos.
Empresas prestadoras de serviços, que atualmente operam sob regimes cumulativos, sofrerão os maiores aumentos. Estima-se que, para determinados segmentos, o aumento da carga possa chegar a até 97%.
Já setores industriais e exportadores, com acesso mais amplo a créditos tributários, tendem a se beneficiar.
Empresas que contam com incentivos fiscais, regimes especiais ou isenções regionais também precisarão reavaliar suas estruturas, pois muitos desses benefícios serão extintos ou modificados.
Cronograma de transição até 2033
A mudança será implementada de forma gradual entre 2026 e 2033, em um cronograma que permite adaptação, mas também exige planejamento imediato.
Etapas da transição:
- 2026: inicia-se a cobrança da CBS e IBS com alíquotas simbólicas (0,9% e 0,1%) para fins de teste.
- 2027: extinção definitiva de PIS e COFINS; CBS passa a vigorar em definitivo.
- 2029 a 2032: substituição progressiva do ICMS e ISS pelo IBS.
- 2033: o novo sistema entra plenamente em vigor.
Apesar do prazo parecer longo, os impactos operacionais começam já em 2026, exigindo que empresas estejam preparadas para operar em regimes paralelos (o atual e o novo), com obrigações acessórias distintas e maior complexidade no curto prazo.
O crédito fiscal dependerá da regularidade da operação
Um ponto crucial do novo modelo é a vinculação do crédito tributário à idoneidade da operação. O crédito de IBS ou CBS só poderá ser apropriado se:
- A nota fiscal for válida;
- O tributo tiver sido efetivamente destacado e recolhido pelo fornecedor.
Ou seja, não basta comprar com nota fiscal: será necessário garantir que o fornecedor esteja em dia com suas obrigações. Do contrário, sua empresa não poderá se creditar, o que eleva o custo da operação e reduz a margem de lucro.
Isso exigirá:
- Maior rigor no processo de compras;
- Homologação criteriosa de fornecedores;
- Ferramentas de controle e validação em tempo real.
Split Payment: o tributo é retido antes de chegar ao fornecedor
Impactos práticos:
- O fornecedor recebe apenas o valor líquido da operação;
- Pode haver redução da liquidez da empresa vendedora;
- Exige adaptações nos sistemas de pagamento e controle bancário.
Regimes diferenciados: exceções existem, mas com novas regras
Alguns setores terão tratamento diferenciado por motivos sociais, econômicos ou estruturais. A Emenda Constitucional já prevê regimes especiais para:
- Educação, saúde e transporte coletivo;
- Agronegócio (especialmente produtos in natura);
- Serviços financeiros, planos de saúde e seguros;
- Entidades sem fins lucrativos;
- Microempresas e optantes do Simples Nacional;
- Sociedades uniprofissionais.
- Alíquotas reduzidas;
- Crédito presumido;
- Mecanismos de devolução parcial (como cashback tributário).
Importante destacar que estar em um setor sensível não garante manutenção da carga atual. Simulações e reestruturações serão essenciais.
Como a transição afeta o fluxo de caixa
O novo modelo também trará impactos relevantes sobre o fluxo de caixa das empresas, especialmente nos seguintes pontos:
-
- Aumento de carga em setores cumulativos;
- Redução da liquidez com a possível adoção do split payment.
Empresas com ciclos longos de produção ou que operam com margens sensíveis devem:
- Revisar seu capital de giro;
- Replanejar a logística de compras e vendas;
- Simular cenários com base no novo modelo.
Oportunidade para evoluir: transição como diferencial competitivo
Embora desafiadora, a reforma também representa uma grande oportunidade de modernização e ganho de eficiência. O novo sistema tende a ser mais simples, menos sujeito a litígios e mais transparente.
Empresas que se anteciparem e estruturarem sua transição de forma estratégica podem conquistar vantagens significativas:
- Melhor aproveitamento de créditos;
- Redução de riscos fiscais;
- Otimização de processos e tecnologia.
O que sua empresa deve fazer agora
A preparação para o novo modelo deve começar imediatamente. Veja os passos recomendados:
- Mapeie as operações tributárias e identifique os pontos mais sensíveis;
- Simule impactos da nova tributação sobre seu setor e modelo de negócio;
- Reestruture contratos e precificação considerando o novo custo tributário;
- Capacite sua equipe fiscal e financeira;
- Invista em tecnologia para garantir conformidade e agilidade.
Conclusão
A Emenda Constitucional nº 132/2023 marca o início de um novo ciclo tributário no Brasil. Trata-se de uma transformação profunda, que exige muito mais do que ajustes contábeis: ela exige uma mudança de mentalidade.
O R|Fonseca está pronto para apoiar sua empresa neste processo. Nossa equipe especializada transforma a complexidade tributária em estratégia de crescimento. Fale conosco e saiba como planejar uma transição segura, inteligente e eficiente.
Leia mais sobre a Reforma Tributária:
- Impacto da Reforma Tributária: como os principais setores serão afetados?
- IBS e CBS: O que muda para quem é Lucro Real e Presumido?
- IBS (Imposto Sobre Bens e Serviços): como funciona, características e impactos para as empresas
- IBS e CBS: Cinco pontos fundamentais para entender sobre os novos tributos
- Reforma Tributária: O que você precisa saber sobre a transição para o IBS e CBS

Especialista em Direito Tributário e bacharel em Ciências Contábeis, atua com foco em recuperação de tributos, compliance fiscal e planejamento estratégico. Com sólida experiência em controladoria, auditoria e gestão contábil, integra o time da R|Fonseca entregando inteligência tributária, segurança operacional e eficiência para empresas em diversos regimes fiscais.